
30.07.10 - 15:27
Em agenda de campanha em Natal, a
candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, dividirá as
atenções dos potiguares com a Marcha pela Maconha, prevista para as 16
horas desta sexta-feira (30). Pela manhã, Marina deu entrevistas a duas emissoras de
rádio e defendeu um plebiscito para discutir a legalização da maconha.
"Não podemos resolver isso (legalização da droga) sem um grande debate",
argumentou. A candidata disse que respeita as opiniões do
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do deputado Fernando Gabeira
(PV-RJ), que são favoráveis à legalização, mas assim como na questão do
casamento gay, ela é contra. No entanto ela espera que o assunto seja
levado à sociedade. "Eu nunca tive nenhuma atitude de discriminação",
afirmou. Durante entrevista de 25 minutos à Rádio 95 FM,
Marina disse que sua candidatura conseguiu se impor no cenário eleitoral
e que "acabou o plebiscito" entre PT e PSDB. No entanto, para a
candidata o desafio agora é "acabar com a baixaria" de acusações entre
seus adversários. "Eu não estou me deixando pautar pelo jogo do
vale-tudo." A presidenciável voltou a criticar as acusações
do vice do presidenciável José Serra, deputado Indio da Costa (DEM-RJ),
que levantou recentemente a questão da suposta relação entre PT e as
Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia (Farc). Marina disse que
falta a Indio maturidade e"quilometragem política". "O vice do Serra às
vezes extrapola. Não vale tudo para se ganhar as eleições", criticou. Marina
disse esperar de seus adversários uma postura de respeito à legislação e
que, após as multas da Justiça Eleitoral, que não haja mais infrações.
Para ela, Dilma Rousseff (PT) e Serra colecionam multas porque suas
candidaturas têm estrutura financeira para pagar as punições. "Eu ia
lavar prato pelo resto da vida se fosse multada toda semana", disse. Governos Se
eleita, ela afirmou que não discriminará governos de oposição ao seu
partido por acreditar que isso representa um "pensamento mesquinho".
"Essa é a política pequena." Num discurso voltado para os nordestinos,
Marina defendeu mais investimento em educação (principalmente no combate
ao analfabetismo), saúde (com foco na luta contra a mortalidade
infantil), segurança (destacou a violência doméstica) e manutenção do
Bolsa Família, rechaçando a ideia de programa assistencialista. "Só
chama de assistencialista quem não sabe o que é passar fome", rebateu
ela durante entrevista à Rádio 96 FM. Marina também abordou
durante as entrevistas o investimento em obras de infraestrutura, uma
vez que o Estado receberá jogos da Copa do Mundo de 2014. A candidata
afirmou que quer ir além do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), o
qual chamou de sistema de gerenciamento de obras. "No governo do
Fernando Henrique Cardoso nem tinha isso", cutucou. A
candidata aproveitou o assunto para rebater os críticos que afirmam que
um governo verde não investirá em obras. "A gente pode fazer os
investimentos sem destruir a natureza. O que não dá é fazer de qualquer
jeito", disse. Marina defendeu ainda o corte de gastos e o
fim do "festival de cargos comissionados". "O servidor concursado deve
ser mantido. O que nós temos de acabar é com o desperdício", propôs. A
candidata disse se espelhar no modelo de transparência na divulgação dos
gastos implementada pelo presidente norte-americano Barack Obama.
"Quero fazer como o presidente Obama, colocar tudo na internet."