
30.07.10 - 21:40
A morte do traficante Ignacio "Nacho" Coronel, ocorrida na
quinta-feira em uma operação militar, representou uma vitória para o
governo do México, mas pode causar mais violência, sem garantias de
eliminação dos chefes mais procurados dos cartéis da droga, disseram
especialistas e a imprensa nesta sexta-feira.
Cerca de cem soldados participaram da ação que matou Coronel em
Guadalajara, no oeste do México, no principal golpe neste ano contra os
traficantes no país. Coronel era o terceiro na hierarquia do cartel de Sinaloa, que
controla lucrativas rotas de drogas para os EUA através do oceano
Pacífico. O chefe do cartel, Joaquín "El Chapo" Guzmán, é o homem mais
procurado do México. A Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) disse que a morte de
Coronel foi "um forte golpe para a capacidade de funcionamento da
organização" Mas a morte dele aumenta os temores de que um eventual vazio de poder
na cúpula do cartel de Sinaloa poderia causar mais violência no México,
onde 25 mil pessoas morreram desde o fim de 2006, quando o presidente
Felipe Calderón mobilizou as Forças Armadas para o combate ao
narcotráfico. Os crimes, alguns por decapitação, têm causado preocupação ao governo
dos Estados Unidos, a investidores estrangeiros e a turistas. "Como o aumento da violência é proporcionalmente direto à importância
dos chefes acossados, detidos ou executados, é de se supor que o golpe a
Ignacio Coronel provocará estremecimentos", escreveu em editorial o
diário La Jornada. Parte da violência se deve a disputas entre traficantes pelo controle
das quadrilhas. Em 2004, Guzmán se envolveu em diversas batalhas para
tentar controlar as rotas do narcotráfico depois da prisão de Osiel
Cárdenas, do cartel do Golfo. "O brilho (pela morte de Coronel) pode ser efêmero. Enquanto a
federação de Sinaloa tenta se reagrupar, outras organizações buscarão
sem dúvida desafiar seu domínio nessa região, como a organização dos
Beltrán Leyva e Los Zetas", disse a consultoria de segurança Stratfor
num relatório nesta sexta-feira. "Isso poderia conduzir a outro pico de violência." Para outros especialistas, inclusive da DEA, é improvável que o
triunfo de quinta-feira leve as autoridades diretamente a Guzmán, o
"peixe gordo" do cartel. Esse traficante de 1,55 metro foi incluído em
2009 na lista dos homens mais ricos do mundo pela revista Forbes, com um
patrimônio estimado em 1 bilhão de dólares. "Esses cartéis funcionam como células. A antiguidade de Coronel não
significa que respondesse a Guzmán ou a alguma outra pessoa, ele tomava
as decisões no dia a dia", disse em Washington o agente da DEA, Michael
Sanders. Um especialista mexicano disse, pedindo anonimato, que Coronel havia
se distanciado de Guzmán no último ano por causa de desavenças a
respeito das ambições territoriais do "Chapo." "A aliança continuava intacta, mas o cartel não vai desmoronar com a morte de um dos seus generais", disse essa fonte.