
31.07.10 - 10:55
Acordo de Livre Comércio com o Egito, um Código Aduaneiro Comum do
Mercosul e um montante inédito de projetos de infra-estrutura
financiados pelo bloco prometem ser as grandes decisões a serem
anunciadas no dia 3, durante a reunião de Cúpula do Mercosul em San
Juan, Norte da Argentina. O Egito está a ponto de transformar-se no segundo país de fora da
América do Sul a ter um Tratado de Livre Comércio (TLC) com o Mercosul. O
acordo seria assinado na próxima terça-feira, dia 3, durante a reunião
de Cúpula do Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e
Uruguai, com a Venezuela em processo de adesão desde 2006. “Estamos negociando um acordo de livre comércio e é possível que seja
assinado em San Juan”, confirmou o ministro das Relações Exteriores da
Argentina, Héctor Timernan logo após reunir-se com o ministro da
Indústria e do Comércio do Egito, Rachid Mohamed Rachid. O ministro
egípcio está na Argentina desde quinta-feira e participa da reunião do
bloco na cidade de San Juan, no Norte do país. O primeiro país de fora da região a somar-se ao bloco como parceiro
comercial mais próximo foi Israel cujo TLC foi assinado em 2007, mas só
entrou em vigência em abril deste ano. “Estamos nas instâncias finais de ter um acordo com o Egito. A
negociação está fechada na sua ampla maioria. Há três ou quatro questões
ainda pendentes, mas são altíssimas as chances de assinar o acordo
agora”, explicou o secretário de Relações Econômicas Internacionais da
Argentina, Alfredo Chiaradía, quem deixará o cargo depois da Cúpula para
assumir a Embaixada argentina em Washington. Neste domingo, os Chanceleres do Mercosul reúnem-se em San Juan para
dar impulso às negociações finais para o acordo que pretende promover a
expansão e a diversificação do comércio e dos investimentos entre os
novos sócios. Na segunda-feira, chegam os presidentes. Durante a reunião em que a Argentina passa a Presidência Pró-Tempore
do bloco ao Brasil pelos próximos seis meses, o Mercosul pretende ainda
anunciar o seu Código Aduaneiro. A complexidade do assunto levou o
código a demorar seis anos desde que foi estabelecido como objetivo em
2004. O Mercosul nasceu como uma zona de livre comércio há 19 anos e,
com a adoção da Tarifa Externa Comum em 1995, passou a ser uma União
Aduaneira, embora não tivesse um Código Aduaneiro comum. “Todas as negociações indicam que, em San Juan, vamos poder,
finalmente, e depois de seis anos sobre uma questão crucial e muito
complexa, estabelecer mecanismos para eliminar a dupla cobrança da TEC e
de produzir uma redistribuição da renda aduaneira”, confia o secretário
Chiaradía. A ausência de um código comum nas aduanas faz com que, por exemplo,
um produto que entre pelo Brasil, mas tenha como destino final o
Paraguai pague a Tarifa Externa Comum (TEC) duas vezes, encarecendo-o. O
Código Aduaneiro comum evitará a dupla cobrança da TEC que será paga
apenas na primeira Aduana. No exemplo, a do Brasil. Para evitar que os
segundos países saiam prejudicados na arrecadação, haverá um mecanismo
de distribuição de renda aduaneira. “O Código Aduaneiro é uma peça de legislação muito extensa. Dos 200
artigos, somente há dois ainda sem consenso. Ou seja: somente 1% do
documento não está resolvido. A lógica indicaria que, desta vez,
deveríamos conseguir”, indica Chiaradía. A única certeza absoluta paira sobre os projetos de infra-estrutura
com o dinheiro do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul
(FOCEM, na sigla em espanhol). Os projetos chegam a um recorde de 800
milhões de dólares. O fundo destinado à redução de assimetrias em
matéria de desenvolvimento econômico e de competitividade funciona
basicamente como uma transferência dos sócios maiores (Brasil e
Argentina) aos menores (Uruguai e Paraguai). São 100 milhões de dólares
anuais, mas boa parte ficou disponível nos últimos anos. “Nunca como agora haverá um número tão significativo de projetos
aprovados. Podem ser até 8”, celebra Chiaradía. Os projetos concentram-se em interconexão elétrica e rodoviária,
basicamente do Brasil com o Paraguai e com o Uruguai. O Chanceler argentino, Héctor Timerman, não acredita que o Mercosul
seja o âmbito para o debate sobre mecanismos de solução à crise entre
Venezuela e Colômbia. Interpreta que o foro adequado seja apenas a
Unasul. Porém, embora na agenda da próxima terça-feira não esteja
previsto tratar do assunto que mais inquieta a região, Timerman admite
que com tantos Chefes de Estado, o diálogo político entre os líderes é
inevitável. “Todos os presidentes se conhecem bem, mantém permanente diálogo e
têm confiança entre eles. A presença de todos numa mesma reunião permite
encontros onde se fala sobre a situação regional ou bilateral. Embora
não seja a razão que convoca ao encontro, obviamente que os diálogos
políticos existem”, reconhece. Estarão presentes na reunião de Cúpula do Mercosul os presidentes dos
Estados-membros (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela), dos
Estados associados (Chile e Bolívia, mas não Peru), além da Chanceler
mexicana e do ministro da Indústria e do Comércio do Egito. Timerman confirmou que os presidentes Lula e Cristina Kirchner terão
uma reunião bilateral depois da reunião de Cúpula do bloco.